De princesa a plebéia
Acerca de uma história de decadência e omissões
Bem-vindos, ilustres visitantes! (*)
Salve nobres conterrâneos!
Um aviso a quem nos visita: a Serraria às suas vistas não tem o encanto daquela de minha infância; tampouco é a cidade sonhada por minha geração. Está longe daquela celebrada em seu hino, da lavra de Eudésia Vieira: “Serraria Princesa do Brejo”. A Serraria de hoje não é a desejada por ninguém.
O sentimento de indignação que o texto denota não é só meu; é de todo serrariense que ama a sua terra; é de tantos quanto ouviram falar de uma cidade pujante e deparam com o caos.
Até os anos 70 tínhamos uma história digna de registro, iniciada com Olegário Jucelino, passando por Ovídio Duarte, Severino Cavalcanti, Antônio de Carvalho, Roberto Cavalcanti, Paulo Viana e Waldemar Lima. Hoje tal história não passa de um conto de fadas a embalar encontros fortuitos de serrarienses a partir dos 40 de idade.
O fim da era dourada de Serraria começou quando os homens públicos da nossa terra passaram o bastão para uma leva de forasteiros míopes comprometidos apenas com ambições pessoais e com o próprio bolso, nada mais...
Não se sabe por quais motivos serrarienses natos e comprometidos com a nossa história foram preteridos no desejo justo de governar a nossa cidade. Gente como Adalberto e Avanízio Menezes, Manoel Estevam, Jurandir Pereira e outros cuja trajetória de vida é um atestado de capacidade e honradez.
Não faz sentido!
O grande fiasco – Em 2004, Serraria radicalizou: pela primeira vez, elegeu a oposição e, de quebra, representada por uma mulher: Lourdinha Bernardino. Só não foi em vão, porém, porque a simples mudança significa avanço. Meses depois estava evidente: a montanha da esperança pariu um rato da desilusão.
Os costumes políticos são os mesmos, a forma retrógrada de governar não muda, a prefeitura é um feudo a serviço do interesse doméstico...Serraria vive sob o jugo de uma administração desastrosa; a perseguição é um fantasma impiedoso a bafejar o cangote dos que não rezam a oração do “quero, mando e posso...”.Lourdinha, além de tudo, não correspondeu à bravura da mulher contemporânea. Reina, mas não governa. Um tremendo fiasco!!!
Um detalhe reflete a importância de nossa cidade para seus atuais governantes: se ao longo da história, nossas festas populares e eventos cívicos foram referências para o Brejo, este ano silenciamos às comemorações do Dia da Independência. Não houve desfile; sequer cantou-se o Hino Nacional e alguém hasteou o Pavilhão Nacional a meio-mastro. Protesto, ou atestado de ignorância cívica?! De qualquer forma, o luto veio a calhar...
Já é hora de conterrâneos e amigos formarem uma cruzada de amor por Serraria. O serrariense deu prova, em 2004, de que não tem medo de mudar. Oportunamente, vamos lhe oferecer 40 razões para a nova mudança...
Sigamos a lição do poeta paraibano, Geraldo Vandré - “Vem, vamos embora/Que esperar não é saber/Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer...” - para consolidarmos a previsão da minha avó, Mamãe Mocinha, brava serrariense do Sítio Canadá: “Um dia a casa cai...”.
O tempo urge...
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(*) Este texto foi originalmente publicado na primeira edição impressa do boletim O Coreto, por ocasião do II Encontro dos Filhos e Amigos de Serraria, realizado em 15.09.07. Por isso mesmo, há uma saudação "aos visitantes".
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